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Copa União 1987 Taça das Bolinhas: a quem pertence?

Publicado em 17 ago 2014 | por Thiago Rodrigo Alves Carneiro

Entenda a virada de mesa na Copa União de 1987

Por Fábio Cicotti, jornalista.

Flamengo – Zé Carlos; Jorginho, Edinho, Leandro, Leonardo; Ailton, Andrade, Zinho, Zico; Bebeto, Renato Gaúcho. Técnico: Carlinhos

Sport – Flávio; Betão, Estevam, Marco Antônio e Zé Carlos Macaé; Rogério, Ribamar e Zico; Robertinho, Nando e Neco. Técnicos: Jair Picerni e Émerson Leão

Para aqueles que não se recordam – ou sequer eram nascidos – dos dois esquadrões acima representam as equipes de Flamengo e Sport, respectivamente, de 1987. Ou para os mais fanáticos, do único campeonato brasileiro – pelo menos que eu tenha conhecimento – sem um campeão definido no ano de disputa. Quero dizer, da Copa União de 1987.

Tudo começou com a ideia de Eurico Miranda, polêmico dirigente vascaíno, de “enxugar” o Campeonato Brasileiro de 1987 ao perceber que o Vasco poderia ser rebaixado – hoje o Vasco joga a Série B e contabiliza dois rebaixamentos oficiais no currículo. Para ele, 16 clubes ou, no máximo, as 20 “maiores” agremiações do Brasil, era um número ideal, embora o regulamento do Campeonato Brasileiro de 1986 previsse 24 clubes no ano seguinte e não especificava que os “maiores” estariam garantidos.

Se o regulamento do Brasileirão de 1986 tivesse sido cumprido à risca, os times que jogariam a primeira divisão em 1987 seriam Corinthians, Guarani, Inter de Limeira, Palmeiras, Portuguesa, São Paulo, Santos, America/RJ, Bangu, Fluminense, Flamengo, Vasco, Atlético/MG, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Atlético/PR, Bahia, Santa Cruz, Náutico, Criciúma, Joinville, Ceará, CSA, Rio Branco/ES, Goiás, Atlético/GO e Treze. E, na segunda divisão, estariam Botafogo (RJ), Ponte Preta, Central, Vitória, Sport-PE, Comercial (MS), Nacional, Sobradinho, Coritiba, Operário, Remo e mais os campeões estaduais de 1987, segundo reportagem do jornal paulista O Estado de S. Paulo de 19 de março de 1987.

Entretanto, o Botafogo/RJ conseguiu liminar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para jogar a primeira divisão, o que foi feito sem determinar quem seria excluído da disputa para dar lugar ao time carioca. No embalo do alvi-negro carioca, o Coritiba também conseguiu liminar para disputar a primeira divisão em 1987 mas, neste caso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recorreu por decisão do seu então presidente Octávio Pinto Guimarães.

A CBF estava falida na época – os contratos milionários com a Nike vieram depois -, seria necessário arranjar um patrocinador que bancasse as despesas de viagens dos times ou que os clubes bancassem as próprias despesas. Dezesseis clubes aceitaram participar do campeonato pagando as próprias despesas e Guimarães declarou que, pela dificuldade em arranjar um patrocinador, estes seriam os clubes da primeira divisão, ajudando no processo de “enxugamento” idealizado por Miranda no ano anterior.

Destes 28 clubes que deveriam participar da primeira divisão, 14 participaram do Módulo Verde em 1987 (Atlético-MG, Bahia, Corinthians, Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Flamengo, Fluminense, Internacional-RS, Palmeiras, Santa Cruz, Santos, São Paulo e Vasco da Gama) e 14 participaram do Módulo Amarelo (Atlético-GO, Atlético-PR, América-RJ, Bangu, Ceará, Criciúma, CSA, Guarani, Internacional-SP, Joinville, Náutico, Portuguesa, Rio Branco-ES e Treze).

O assunto é complexo e há várias interpretações e pontos de vista sobre a competição. Afinal, quem foi o campeão? E as liminares obtidas, foram justas ou injustas?

Num artigo bastante completo escrito por Mauro Beting, tem-se uma noção básica de como tudo começou e o que ocorreu entre 1986 e 1988. Qual não foi a surpresa quando encontrei alguns personagens conhecidos no mundo futebolístico contemporâneo, como Nabi Abi Chedid, José Maria Marin, Ricardo Teixeira, João Havelange, Carlos Miguel Aidar, Vicente Matheus, Oswaldo Teixeira Duarte, Marcelo Bivar, Eduardo Vianna (o Caixa D’Água), Eurico Miranda, Márcio Braga, além de citados personalidades políticas da época, também personagens políticos de anos seguintes.

Mauro Beting deixa claro que a Copa União e todos os imbróglios que aconteceram durante a competição estavam longe de ser uma questão esportiva, mas sim picuinhas políticas onde os personagens citados me pareceram medir a força através de suas posições nos clubes e/ou federações. Naquela época se plantou uma semente de que clubes lucrativos para as empresas e emissoras de TV devem ser privilegiados em detrimento dos demais, que devem ficar alijados dos atuais milhões de reais pelas exibições nos horários das partidas.

Uma descrita falência da CBF em 1987 e a criação do Clube dos 13 foram os fatos que mais simbolizam o momento, porque teríamos, em tese, desde aquele ano uma nova fase do futebol brasileiro. Os clubes seriam responsáveis pelas receitas – e despesas do campeonato – e as transmissões deveriam não estar monopolizadas em uma única emissora. Grandes empresas de vários segmentos também “compraram a Copa União”, em troca de terem suas marcas exibidas nos estádios – ou no caso de uma marca de refrigerantes que patrocinou a maioria dos clubes do campeonato.

É surreal imaginar como uma competição é iniciada sem um regulamento definido e assinado pela maioria dos participantes. Ou em caso de ter sido avalizado por todos, como pode ser alterado durante a competição. Como clubes disputaram a competição sem conhecer a estrutura do campeonato – não se sabia se o vencedor disputaria a Libertadores, quantos seriam rebaixados, a fórmula de disputa e sequer as regras de acesso e descenso para o Brasileirão de 1988.

A guerra de liminares durante a competição e dos clubes considerados “menores” contra o Clube dos 13 e a disputa do Módulo Amarelo foram outros fatores que conturbaram ainda mais a disputa do Módulo Verde. E como foram definidos quais clubes participariam da “Segunda Divisão” da Copa União. Por fim, porque não fazer jus ao campeonato e, já que a competição fora dividida em dois módulos, porque não cruzar ambos para definir o campeão brasileiro daquele ano?

Então a CBF passou a prever que os finalistas do Módulo Verde e Amarelo deveriam se enfrentar em um quadrangular para assim decidir quem seria o campeão brasileiro de 1987. Mas como Flamengo e Internacional não participaram deste quadrangular, Sport e Guarani fizeram a final. O jogo de ida terminou em um empate por 1 a 1, enquanto na segunda partida, o Sport venceu por 1 a 0. A equipe de Recife foi considerada pela CBF como a campeã brasileira de 1987 e o Flamengo, por sua vez, reivindica ser hexacampeão brasileiro (1980, 1982, 1983, 1987, 1992, 2009).

Infelizmente vários personagens ainda estão na ativa em seus clubes, nas federações ou já partiram deixando essa mancha no futebol brasileiro que se alastra até os dias atuais, culminando com a falta de modernização do calendário, os recentes escândalos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o continuísmo na administração do futebol brasileiro. Lembremos que José Maria Marin está no atual cargo de presidente da CBF em virtude de ser vice na chapa de Ricardo Teixeira, que renunciou em 2013 por seguidos casos de corrupção na entidade.

A controvérsia hoje chegou a tal ponto que jornalistas esportivos consideraram o Flamengo campeão nacional de 1987, embora os representantes nacionais da Taça Libertadores da América em 1988 fossem Sport e Guarani, campeão e vice do Módulo Amarelo da competição. O Clube dos 13 tem o desplante de afirmar que Flamengo e Internacional, primeiros colocados do Módulo Verde, abriram mão da competição sul-americana pelas despesas que esta causaria.

E esse imbróglio tem se arrastado até os dias atuais quando São Paulo e Flamengo travaram batalhas judiciais pela Taça das Bolinhas, um troféu criado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 1975 para premiar o primeiro clube nacional a vencer o Campeonato Brasileiro de Futebol três vezes seguidas ou cinco alternadas.

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